Até quando o Tocantins será saqueado por quem deveria governar?
- presidenciapsoltoc
- 2 de out. de 2025
- 3 min de leitura
O afastamento do governador Wanderlei Barbosa pela Operação Fames-19 é apenas mais um capítulo de uma longa crise que atravessa o Tocantins. Há mais de 20 anos nenhum governador conclui o mandato: todos são afastados ou renunciam em meio a escândalos e investigações.
Essa reincidência não é obra do acaso, nem resultado de falhas individuais de caráter. Trata-se de uma falha sistêmica, enraizada na própria governança do Estado.
A corrupção no Tocantins não é um desvio, mas um mecanismo de poder. É a forma como a classe política local, dominada pela direita, pela extrema direita e pelo centrão, se mantém no controle, amparada pelo agronegócio, pelo latifúndio e por empresários que usam o Estado como balcão de negócios. Nesse arranjo, contratos públicos fraudulentos, desvios de verbas da saúde e da educação e a manipulação das leis para garantir impunidade não são exceções: são a regra.
O resultado é devastador. Cada escândalo de corrupção significa menos escolas funcionando, menos hospitais equipados, menos políticas sociais.
O Tocantins, com sua dimensão equivalente a de muitos países, suas riquezas naturais e um povo diverso e culturalmente abundante, deveria estar à frente das grandes transformações do nosso tempo. Em meio às mudanças climáticas e às disputas globais por recursos, deveríamos ter um Poder Público comprometido com a proteção do cerrado, da Amazônia, da água e da vida.
O que temos, no entanto, são governadores provisórios, algozes temporários que sugam tudo o que podem enquanto conseguem se manter no cargo.
Essa lógica não se limita ao Tocantins. Em Brasília, a mesma classe política que manda aqui age para se proteger e manter seus privilégios. A aprovação da chamada PEC da Blindagem, junto ao projeto de anistia dos golpistas de 8 de janeiro, mostra como deputados e senadores legislam para si mesmos — garantindo impunidade e blindagem para criminosos políticos.
Não foi por acaso: todos os deputados federais do Tocantins votaram a favor dessa vergonha nacional. Eles escolheram defender corruptos e golpistas em vez de defender o povo trabalhador.
Esse ciclo constante gera uma crise de confiança nas instituições. A cada escândalo revelado, cresce o cinismo, o desengajamento e a descrença de que a política possa servir ao bem comum.
Os (as) eleitores(as), muitas vezes manipulados(as) por um sistema desigual, também têm responsabilidade nesse processo. Cada voto dado a essa engrenagem reforça o poder de quem transforma o Tocantins em terra de negócios privados, em vez de um espaço de construção coletiva.
Romper com essa lógica exige mais do que trocar nomes. É preciso um choque popular. Isso significa fortalecer órgãos de controle, garantir a independência da Justiça, repensar o sistema político que privilegia o clientelismo e, sobretudo, organizar o povo.
Movimentos sociais, sindicatos, juventudes, mulheres, negritude, indígenas e toda a classe trabalhadora precisam estar no centro de uma nova governança, capaz de transformar o Tocantins num lugar onde o interesse público esteja acima do lucro privado.
Mas a resposta vem do povo nas ruas. Em 21 de setembro, milhares de pessoas protestaram em todas as capitais — inclusive em Palmas — contra a PEC da Blindagem e o projeto da anistia. A pressão popular foi tão forte que o Senado recuou e a proposta foi rejeitada por unanimidade na CCJ, abrindo caminho para o seu arquivamento.
Isso prova uma coisa: quando o povo se organiza, o sistema treme. Não basta esperar novos nomes ou eleições. É a organização coletiva da classe trabalhadora, da juventude, das mulheres, da negritude, dos povos indígenas e de todos os explorados que pode derrotar os privilégios da velha política e construir um Tocantins e um Brasil à altura do seu povo.
O PSOL Tocantins acredita que não há soluções mágicas, nem líderes salvadores. A saída está na organização coletiva, na participação popular e na construção de um novo projeto de Estado, baseado em transparência, justiça social e soberania popular. O Tocantins é maior que seus algozes temporários.











Comentários