“No Tocantins, ser professor é resistir”: educadores denunciam assédio, sucateamento e militarização das escolas
- presidenciapsoltoc
- 15 de out. de 2025
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Atualizado: 15 de out. de 2025

Em meio ao descaso do governo e à cultura política do coronelismo, professores enfrentam salários defasados, perseguição e escolas sem estrutura mínima — enquanto o plano de carreira segue engavetado na ALETO. Hoje, no Dia dos Professores, celebramos a dedicação e o compromisso de quem constrói o futuro em sala de aula. Mas enquanto comemoramos, também precisamos olhar para a realidade que esses profissionais enfrentam.
Com o depoimento de um educador que atua na rede estadual do Tocantins, apresentamos este editorial de denúncia: uma reflexão sobre salários defasados, assédio moral, escolas sem estrutura mínima e a militarização do ensino público, que expõem o descaso do Estado com aqueles que formam gerações.
PCCR - Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração
“Tem mais de um ano que a gente escuta o mesmo discurso. O plano de cargos e carreiras não foi aprovado até hoje.”
A fala de um professor da rede estadual do Tocantins resume o sentimento generalizado entre educadores: o cansaço diante de promessas vazias e o abandono de uma categoria essencial.
O Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da Educação, pauta histórica da classe, segue travado desde o governo de Wanderlei Barbosa (Republicanos) — que prometeu avanços, mas foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em meio a investigações. No lugar, assumiu o vice Laurez Moreira (PDT), que até agora mantém o mesmo ciclo de silêncio, paralisia e desrespeito com os trabalhadores da educação.
“De todos os servidores com nível superior, a carreira de professor é a pior. Isso mostra o quanto o Estado desvaloriza quem está na sala de aula”, desabafa o professor. O PCCR atual, mesmo que aprovado, “não atende às demandas básicas” — como o vale-alimentação e gratificações justas para quem está em regência. Hoje, a categoria recebe cerca de R$ 700 de gratificação, válida apenas por dez meses ao ano. “Durante as férias e o recesso, o valor simplesmente desaparece. É algo que não tá certo”, critica.
Assédio político como rotina
Mas a precarização não é apenas material. O professor denuncia um cenário profundamente enraizado de assédio moral e perseguição política dentro da Secretaria de Educação (SEDUC) e nas Superintendências Regionais de Ensino (SREs).
“O Tocantins tem uma cultura política muito complicada, de coronarismo mesmo”, afirma. “Cada escola tem seu deputado, seu vereador, que manda, que indica cargos. É uma teia de conchavos e apadrinhamentos.”
Essa estrutura, segundo ele, transforma o ambiente escolar em um campo de controle político e pessoal, onde chefias indicadas agem sem preparo e sem limites.
“As chefias não têm trato com gestão de pessoas. Eu, particularmente, sofro perseguição política por causa dos meus posicionamentos. E o pior: é tratado como normal. Dizem ‘sempre foi assim’.”
A naturalização da violência institucional contra professores revela um Estado capturado por práticas autoritárias, herdeiras diretas do coronelismo — um modelo em que o poder público é privatizado por oligarquias locais e usado para premiar aliados.
A face autoritária da militarização
Se a perseguição e o descaso corroem o trabalho docente, a militarização das escolas agrava o problema. No Tocantins, essa política se expandiu nos últimos anos sob o discurso de “disciplina” e “ordem”, mas sem resultados concretos em aprendizado ou segurança.
“O Estado não resolve os problemas das escolas — violência, evasão, estrutura precária — e escolhe o atalho da militarização”, denuncia o professor. Segundo ele, há escolas comandadas por policiais militares, bombeiros e até pela Marinha, em arranjos improvisados e sem fundamento pedagógico.
O resultado é um ambiente de autoritarismo cotidiano e abuso de poder.
“Na escola onde trabalho, há militares e monitores civis que respondem a eles — e que se acham militares. É uma perpetuação de micropoder bizarra”, descreve.
A militarização, vendida como solução para a indisciplina, transforma a escola em um espaço de vigilância e submissão, esvaziando o papel crítico da educação pública.
Escolas sem estrutura e professores exaustos
Além da luta por dignidade e autonomia, há a luta pelo básico. O professor relata situações precárias de infraestrutura, especialmente no interior.
“Eu trabalho numa escola de tempo integral que não tem o mínimo de estrutura para isso. Os alunos passam o dia todo sem espaço de descanso, sem vestiário, sem local pra tomar banho.”
Com o calor extremo e o agravamento das crises climáticas, a falta de climatização torna o ambiente insalubre.
“Nem todos os ar-condicionados funcionam. Em outra escola onde trabalho, nem ar-condicionado tem.”
No Tocantins, onde o desconforto térmico pode ultrapassar 40°C, a ausência de estrutura é mais que um problema técnico — é um retrato da negligência institucional e da omissão deliberada de quem governa.
Quatro urgências da educação tocantinense
Ao fim da conversa, o professor sintetiza as prioridades da categoria:
Aprovação imediata do PCCR da Educação;
Fim da cultura de assédio moral nas escolas, SREs e na SEDUC;
Garantia de infraestrutura mínima e climatização em todas as escolas;
Encerramento do projeto de militarização do ensino público.
O que está em jogo
A fala desse educador não é isolada. Ela expressa o grito coletivo de uma categoria que sustenta a educação pública com o próprio corpo e a própria saúde.
Mesmo após o afastamento de Wanderlei Barbosa, o governo de Laurez Moreira (PDT) segue repetindo o mesmo roteiro: promessas vagas, perseguições e descaso com a base da educação pública.
O PSOL Tocantins reafirma: sem valorização dos educadores, não há futuro para o Estado.A aprovação imediata do PCCR, o fim do assédio e da militarização e o investimento real na infraestrutura escolar não são favores — são direitos conquistados com luta.
A luta continua. Porque educar é resistir.
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